Olhar das Coisas

Olhar o olhar das coisas. Respeitá-las
antes mesmo de ouvi-las, de entendê-las.
Partilhar do olhar das coisas, das pétalas,
das cores, dos cheiros, dos gostos, das estrelas.

Sem extremos, sem espadas, sem espantá-las:
encantar-se com o olhar das coisas, deixar serem elas.
Que sejam ímpares, ínterins, livres das celas,
que vivam as ruas, matas, águas, que icem as velas.

Observar as coisas, o quanto são belas
na sua natureza, na sua criação. Tentar aprendê-las.
Reter um pouco das coisas, das texturas das telas,
dos traços, das maneiras, do oculto. Conhecê-las.

Parar diante do olhar das coisas, do silêncio delas,
de sua história, de suas dores. E escutá-las.
Ainda que nada possam dizer sobre suas mazelas,
decifrar sua fala universal e ajudá-las.

Saber a essência das coisas, que são pó e alma, e tê-las
em alta conta, de imediato, simplesmente pelas sequelas
compartilhadas de existir e da beleza de, ao olhá-las,
ver-se no mesmo mistério, incertezas e vielas.

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